João Alves – Vencedor da categoria Animação (2011)

Posted: 09/02/2012 by faro1540 in Entrevistas
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João Alves, nascido no ano 1982 foi, com a sua curta “Bats in the Belfry” o grande vencedor da categoria animação da 1ª edição do FARCUME e foi nessa qualidade que a “Faro 1540” o entrevistou.
Tem um fascínio pelo cinema, em particular terror desde tenra idade. Influenciado pelos “National Geographic” ao sábado depois dos desenhos animados, decide estudar Biologia com o intuito de ser documentarista da vida animal. Em Dezembro de 2005 termina a licenciatura em Biologia Marinha e Pescas na Universidade do Algarve, mas desde 2003 que tinha decidido que a sua vida iria ser longe de químicos perigosos e vísceras de animais.

Consegue o seu primeiro trabalho em 2006, animando o sketch semanal do humorista Rui Almeida (ou Bubú para quem ouvia a Antena 3) no programa da RTP2 “A Revolta dos Pastéis de Nata”. Seguiram-se várias séries, videoclips e DVDs promocionais e musicais.

No início de 2009 começa a animar curtas interactivas na empresa LisbonLabs onde trabalha desde então.

Como surgiu a ideia de produzires a animação “Bats in the Belfry”?

Quando saí da UAlg em Dezembro de 2005, o intuito era fazer uma série de televisão em animação para maiores de 16. Tendo em conta que não conhecia ninguém, tinha de me destacar do resto do que já existia para sobressair na multidão.

Comecei a pensar no género de filmes que gostava e que não via à mais tempo. Tinha de ser algo de terror, o meu género favorito, mas só terror puro não seria muito original. Como já não saiam westerns há muito tempo e um dos meus filmes favoritos é “The Good, The Bad and the Ugly” surgiu a ideia de fazer algo de terror no oeste americano, com um personagem principal memorável, icónico – Deadeye Jack. Depois foi pensar numa forma original de contar uma estória simples mas que deixá-se o público com vontade de ver mais. Pouco tempo depois comecei a trabalhar em televisão e fiquei sem tempo para fazer projectos pessoais, por isso o “Bats” ficou parado até 2010, altura em que refiz o guião para ser uma curta-metragem e concorrer a festivais.

Como analisas o sucesso que a animação tem tido em festivais e mostras de curtas-metragens tanto no país como no estrangeiro?

Superou todas as expectativas de longe. Tinha dois objectivos ao fazer o “Bats”, perceber se conseguia sozinho fazer algo do principio ao fim e ver uma animação minha numa sala de cinema. Quando me telefonaram do MOTELx a dizer que tinha sido seleccionado já era a vitória que eu queria. Mas depois venci o festival, e fui seleccionado para o Fantasporto onde fui novamente premiado, seguiram-se prémios no ShortCutz Lisboa, FARCUME, Bragacine, Cinanima e no festival de Cinema Digital de Odemira, e graças ao shortCutz Lisboa tive duas exibições na SIC Radical. Enviei o filme para alguns festivais fora de Portugal, mas os que mais me orgulho são os convites, o Frightfest (Londres), Animaldiçoados (Rio de Janeiro) e o Anirmau (Lalín) enviaram-me emails a dizer que tinham gostado da curta e que a queriam passar nos festivais. É sempre excelente quando nos dizem que querem ver algo que fizemos.

Quantas horas foram investidas na produção do “Bats in the Belfry”?

Não sei bem quantas horas, mas posso dizer que foi feito entre os dias 20 de Junho e 15 de Agosto de 2010. Eu trabalho das 10h às 19h, 5 dias por semana, por isso o “Bats” foi feito depois do jantar, todos os dias, até às 5 da manhã e aos fins de semana o dia todo durante essas 9 semanas. O computador usado foi um Pentium 4 que pelo caminho queimou RAM e teve que levar uma ventoinha devido ao calor desse verão não ser compatível com os renders finais.

O que sentiste quando venceste a categoria animação na 1ª edição do FARCUME, festival da cidade onde tu viveste enquanto eras estudante na Universidade do Algarve?

Fiquei super contente, só tive pena de não poder estar presente, mas foi uma sensação espectacular. O “Bats” foi começado a a ser pensado em Faro, por isso é um orgulho muito especial e pessoal. Ainda mais por ter sido uma decisão de desempate pelo público. Muito bom mesmo

Como é que um Biólogo Marinho se dedica e com tanto sucesso, à realização de animações?

O curso de Biologia Marinha e Pescas prepara-nos muito bem para várias coisas, sendo duas das mais importantes aprender e improvisar. Sempre tive gosto por cinema e por animação, por isso ainda durante a universidade fui aprendendo a utilizar software de animação, grafismo e 3D e vendo sempre muitos filmes e extras de DVDs. Animei para séries da RTP2, videoclips, DVDs musicais, sites, o que fosse aparecendo. Pagar as contas e gostar de inovar no que se faz são dois bons incentivos para vencer a preguiça. Actualmente trabalho na LisbonLabs – Creative Experiences onde faço grafismo e animações para sites e aplicações de iPad e iPhone, e nos tempos livres estou a começar a dar os primeiros passos em cinema.

Tens novos projectos em mente?

No final de 2011 fiz a animação do trailer da banda desenhada do Filipe Melo e Juan Cavia “As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy II – APOCALIPSE” que ganhou o terceiro prémio na categoria de Animação Digital dos Prémios ZON e estou actualmente em pré produção da minha segunda curta original “inhuman” (ficção científica) que estará pronta no final do ano. Tenho mais um guião escrito, “Mindscape” (film noir), que está pensado para ser filmado com actores reais em cenários virtuais.

Qual é para ti a importância dos festivais e das mostras de curtas-metragens na divulgação destes trabalhos?

É enorme. São a única forma dos novos cineastas darem a conhecer o seu trabalho e as suas ideias. O público tem acesso a mais cinema além dos das grandes produtoras internacionais e é também uma excelente forma dos cineastas se conhecerem e verem os trabalhos uns dos outros.

Consideras que há em Portugal condições e oportunidades para desenvolver trabalhos de animação de forma profissional?

Há, sempre houve. Nos próximos anos vamos ver cada vez mais novas animações e de géneros completamente diferentes do que estamos habituados a ver por cá. A animação infantil continuará a existir, mas animações com temas mais adultos e mais cinematográficos estão aí ao virar da esquina. Demoram algum tempo a fazer, mas desde que haja público, vai-se fazer mais animação.

 

Links:
“Bats in the Belfry” http://youtu.be/scYn0woZXxI
trailer d'”As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy II – APOCALIPSE” http://youtu.be/R–R2vt_EsM
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