Bruno Lage – Presidente da “Faro 1540”

Posted: 09/02/2012 by faro1540 in Entrevistas
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Bruno Lage, nasceu em 1977 e reside em Faro. É Engenheiro do Ambiente e Mestre em Gestão e Políticas Ambientais pela FCT/UNL, trabalhando nesta área desde 2002.

Sempre teve muito gosto e entusiasmo pelo associativismo participando, desde cedo, activamente em várias associações e grupos cívicos. Em 2009, é um dos fundadores da “FARO 1540– Associação de Defesa e Promoção do Património Ambiental e Cultural de Faro, desempenhando até 2014 as funções de Presidente da Direcção.

Paralelamente, é membro da equipa dinamizadora do Movimento Cívico “Cidades pela Retoma” e do projecto Global City 2.0, sendo ainda dirigente nacional da Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente (APEA) desde 2006.

Em primeiro lugar diz-nos o que é a “Faro 1540” e quais os seus principais objectivos?

A “Faro 1540” é uma associação de carácter cívico, com pouco mais de três anos de existência, sem fins lucrativos, tendo o estatuto de ONG (Organização Não Governamental) junto do IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico e de ONGA (Organização Não Governamental de Ambiente) junto da APA – Agência Portuguesa de Ambiente.

A “Faro 1540” de acordo com os seus estatutos e princípios visa essencialmente defender e promover o património ambiental e cultural de Faro e o conceito de cidadania participativa.

Como surgiu a ideia da “Faro 1540” organizar um Festival de Curtas-Metragens?

A “Faro 1540” tem como uma das suas missões a promoção de actividades de cariz cultural e como tal a decisão de levar a efeito um evento desta natureza surgiu de forma natural uma vez que se insere perfeitamente no âmbito desta associação.

Dada a carência de um evento deste género na capital algarvia e em virtude de termos tido a oportunidade de identificar um público fortemente interessado em curtas que justificava a realização de um Festival de Curtas-Metragens em Faro, decidimos avançar com o FARCUME.

Ao mesmo tempo, era uma forma de divulgar os bons trabalhos que vêm sendo feitos nesta área em Portugal junto de um público que maioritariamente desconhece estes trabalhos e assim contribuir para o lançamento e reconhecimento de novos talentos e premiar o mérito, o empenho e a dedicação de realizadores, actores e equipas técnicas.

Como conseguiram desenvolver com tão poucos apoios um festival com o sucesso da 1ª Edição do FARCUME?

Essa é uma das grandes marcas da “Faro 1540”. Fazer muito com pouco. Não só na produção do FARCUME, mas como em todos os outros eventos organizados por nós, temos sempre o cuidado de optimizar todos os meios ao nosso dispor, apostando na eficiência e na redução de gastos supérfluos e como não podia deixar de ser, contamos com o espírito activo e voluntarioso dos nossos dirigentes e associados que empenham horas e horas do seu tempo livre na prossecução das nossas actividades.

Financeiramente estamos dependentes apenas de nós próprios através das quotizações dos associados, do apoio logístico dos nossos parceiros institucionais e de receitas obtidas em algumas das nossas actividades.

Este ano, o FARCUME vai ter uma preocupação especial com a importância de preservar o ambiente. Podes explicar no que consiste?

De facto assim é. A “Faro 1540” para além de associação cultural é também uma organização que visa a defesa do ambiente, tendo inclusive alcançado, tal como já referi, o estatuto de ONGA.

Neste sentido, porque entendemos que não podemos ficar só por palavras e por um conjunto de boas intenções, decidimos este ano, à semelhança do que já ocorre em outros eventos nossos, desenvolver um plano de Gestão Ambiental e um conjunto de procedimentos que visam actuar em toda a estrutura organizativa do FARCUME, garantindo assim um bom desempenho ambiental, procurando desta forma promover um “ECOFESTIVAL”, o desenvolvimento sustentável e a correcta utilização dos recursos naturais.

Para isso, o FARCUME terá a chancela Carbono Zero, ou seja, estará totalmente isento de emissões de carbono com medidas compensatórias através da plantação de árvores autóctones em terrenos de aptidão florestal e com medidas efectivas de eficiência energética, optimização dos recursos necessários à realização do festival e com especiais cuidados na reciclagem e valorização dos resíduos gerados.

Para além disso vamos procurar sensibilizar os participantes para a importância de respeitar e preservar o planeta e para a necessidade de utilizar os seus recursos de forma equilibrada e sustentada.

Apesar de terem alargado o festival a curtas estrangeiras, é imposta a língua portuguesa. É de facto assim?

É correcto. Queremos que as curtas-metragens sejam faladas ou então legendadas em português. Isto é, permitimos que as curtas sejam faladas noutras línguas, desde que em alternativa apresentem legendas na língua de Camões. Podem também ser faladas em português e ter legendas noutras línguas. Contudo, na categoria dos videoclips não temos essa exigência.

Se estamos em Portugal e o público é maioritariamente português, parece-nos lógico, normal e sensato que a língua oficial seja o português. A nossa língua é a 6ª mais falada no mundo e temos a obrigação de vincar essa realidade e de ter orgulho e brio na nossa língua. Aliás, um dos princípios da “Faro 1540” passa pela defesa e promoção da língua portuguesa e este é um dos princípios que não vamos abdicar, pois se não somos nós (países de expressão portuguesa) a defender e a promover a nossa própria língua não acreditamos que sejam outros a fazê-lo.

Quais as diferenças que podemos encontrar no formato do Festival entre a edição do ano transacto e a edição de 2012?

A organização no ano passado sempre considerou que a 1ª edição do FARCUME seria o “ano zero” de um Festival que se pretendia de referência a sul do país a médio prazo. Assim, é natural que este ano haja alguma evolução e se apresente uma metodologia mais profissional em termos de produção e promoção do evento.

Para além da inovação na componente ambiental, um dos sinais de evolução passa pela existência de uma página electrónica que é um veículo essencial no acompanhamento e na divulgação do festival. Outra diferença é a troca da categoria “Experimental” pela categoria “Videoclip” que esperamos que venha a despertar mais interesse na competição, para além da evidente ajuda a promover, divulgar e impulsionar grupos musicais emergentes.

Outras alterações, apesar de pensadas pela organização ainda são prematuras para anunciar, pois tudo depende ainda das parcerias que vamos desenvolver, da quantidade de curtas-metragens seleccionadas para a exibição e da quantidade de curtas estrangeiras inscritas. No entanto, podemos adiantar que as sessões serão animadas com um programa cultural paralelo, mantendo contudo o ambiente informal, bem-disposto e descontraído.

 

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