UM FARCUME QUE FARO MEREÇA

Viegas Gomes«Côte du  Sud», revista francesa, última edição sobre a Provence, deu-me a resposta que me havia sido solicitada por Nuno Antunes. O tema tinha que ver com o próximo FARCUME, festival de curtas-metragens de Faro. Vejo o FARCUME com um grande divulgador de Faro. Explico. O festival deve ser temático, bem organizado, colocador de Faro no mapa. Michel Onfray, autor da «Teoria da Viagem», refere a propósito que as cidades só serão visitadas se forem divulgadas. Para isso serve um guia, um roteiro, uns pozinhos de Lumiére. O visitante, depois, pode chegar à conclusão. Esta é a cidade que desejava conhecer. Lembram-se da célebre curta-metragem, de Manuel de Oliveira, «Douro, Faina Fluvial». Ela acima de tudo divulgou o Porto. O que se pede ao FARCUME é que divulgue Faro com boas exibições. Todas as cidades médias, grandes, devem ter o seu festival. Huelva, aqui ao lado, teve o Festival Internacional de Cinema, Avignon, na Provence, tem o seu Festival de Teatro. No ano em que lá estive estiveram também vinte e oito companhias de teatro, algumas actuando em garagens. Avignon passa por isso quarenta e cinco dias dos seus verões animadíssima. Madrid está a desenvolver o Festival «Tendências Urbanas», incluindo tatuns, street art, microteatro, concertos, garage, baile, skate. Festival em Faro só conheço o Festival de Folclore, que apesar de importante e de dar um bom contributo na animação de cidade ainda é pouco para Faro. A propósito, assisti há anos um do género na Galiza. Decorreu em volta da gaita de fole, com grupos da Galiza, Astúrias, da Bretanha e Normândia francesas. O FARCUME não nos pode envergonhar. No ano em que as ONGs saem privilegiadas da cena comunitária, precisamos de um FARCUME que Faro mereça, divulgador de uma cidade invulgar, de uma geografia particular.

Viegas Gomes

(Associado Honorário FARO1540)